domingo, 30 de outubro de 2011

Capítulo 7 - Um ótimo plano

Um demônio sem marca não vivia, um anjo sem marca também não, junto com as mudanças de lados as memórias da vida passada se esvaiam, esse era o plano dela. Água, água viva.

Atacariam as montanhas da neve, era lá que Aizon deveria estar. Usariam pela primeira vez a habilidade de voar para ganhar uma batalha. Não seria um golpe traiçoeiro, como era pensado, era apenas usar as partes do corpo para que seus amigos nunca mais sejam mutilados. Não era um problema na teoria usar as asas para chegar as montanhas e jogar a água da fonte dos anjos, mas na prática muitos anjos tinham suas asas apenas para mostrar que eram anjos, elas não serviam para voar pois estavam machucadas, atrofiadas. E mesmo aqueles que as tinham em perfeito estado não sabiam voar.

Tirando Yudara e Susej, apenas mais 9 anjos sabiam a graciosa arte de voar. De conseguir ver as coisas do alto, porém apenas Susej conseguia ficar a mais de 7 metros acima do solo. Esses nove anjos se chamavam: Anna, Kratous, os gemeos Anemias e Arthemius, Uzequel, Liv, Eriandro, Matteo e Eliaza. Todos eles concordaram em ajudar a por em ordem as asas do exercito, sob a ordem de Yudara e Susej. Enquanto eles treinariam com Susej para poder alcançar as nuvens, e então guiar o resto do exercito.

Durante o dia milhares de anjos batiam suas assa a fim de malha-las, eles tinham sido divididos em 10 grupos, cada um ficou responsável por 2 horas do dia, sendo os da noite todos supervisionados por Yudara. Os que treinavam durante a noite era os com os problemas mais graves nas asas e Yudara aproveitava seu poder de curar os outros para por o exercito nos eixos. Apenas Susej sabia o quanto a garota estava se esforçando para que aquela guerra acabasse de uma vez por todas, pois quando raiava o dia ela se retirava para os aposentos do general e lá chorava de dor e por seu destino até dormir. Quando Flin desaparecia dos céus ela despertava novamente e continuava a treiná-los e a se mutilar.

Porém uma semana depois do inicio do treinamento suas feridas pararam de sarar, Mas ela não desistia de aliviar as dores angelicais. Mas dois dias depois a dor era tanta que ela não conseguia mais se mexer, deprimido por ver a amada em tão estado, Susej, mandou uma das cozinheiras que fizesse um caldo de carne, com sangue. A anjo ficou escandalizada, um anjo não deveria comer carne e o maior de todos os anjos lhe pedia algo cru praticamente. Porém o general foi insistente e ela fez um penelão do alimento.

Ele pegou uma concha e encheu um prato e levou para seus aposentos, e aos poucos a alimentou a com a substancia. A recuperação foi muito rapida, mas mesmo assim foi preciso de uma quantidade cavalar para que ela despertasse.

Mal despertou viu o que estava ingerindo e cuspiu e incredula falou:

- Por que está me dando esse alimento imundo?

- Porque sem ele você sofreria.

- E dai? Susej eu já estou acostumada com a dor, não precisava me curar com carne. Eu não quero ser um demônio. - Falar essa palavra lhe lembrou Aizon, que teria que matá-lo e inconscientemente olhou para o braço amputado, mas segurou a vontade de chorar.

- Você nunca será um demônio, você é minha, nunca vou permitir isso.

- Brigada Susej, não sei o que faria sem você. - disse ela o abraçando, mas seu apetite por carne havia novamente despertado em suas viceras.

- De nada, você sabe que faria de tudo por você. Eu te amo, pena que você não me ama.

- Susej, desculpa, mas ainda não consegui tirar aquele demônio do meu coração.

- Eu sei, e eu esperarei toda uma eternidade se for preciso para possuir o seu coração.

Ela abaixou a cabeça, ele se levantou convidando-a para fazer o mesmo e ir para o treino, pois já era noite. Em um mês todos tinham suas asas curadas, e conseguiam voar a 4 metros do chão, mas eram precisos 50. Susej ainda era o único que conseguia essa altura, mas Yudara e os outros 9 anjos ja conseguiam 30.

Porém houve mais um ataque de demônios, que não estavam organizados, pois Aizon ainda não havia os organizado, e muito menos ordenado o ataque. Foi facil atacá-los e testar a estratégia de batalha.

Durante o ataque Susej, ela e os 9 anjos - que haviam sido promovidos para tenentes - encheram da água vasos e sobre o exercito inimigo despejaram. Logo só se viam humanos, porém alguns anjos também foram acertados pelo liquido. Tirando a perda dos companheiros a idéia tinha sido um sucesso.

Era um ótimo plano.

Capítulo 6 - Começo do fim

Cansada da luta ela voou lentamente até o quarto do general, no caminho alguns pensaram em para-la, porém o rosto da garota estava tão abalado, e seu corpo tão ensanguentado que não tinham coragem, apenas lhe davam o caminho.

Chegando ao quarto do General, ela se deitou ao seu lado e com o único braço que possuía começou a acariciar os longos cabelos loiros e falou:

- Susej, hoje houve uma batalha aqui no forte, os demônios tentaram nos dominar. Os anjos não queriam batalhar, mas acabaram lutando. No meio acabei enfrentando o seu irmão. Sinto lhe informar que ele está morto. - Nesse momento ela deu uma pausa e uma lagrima começou a brotar em seus olhos - Eu devia ter te ouvido, não devia ter me envolvido com aquele demônio. Por minha culpa você está nesse estado, por minha culpa todos estão sofrendo agora. Eu queria que você estivesse bem - agora as lágrimas corriam livremente pela face cheia de sangue verde demoníaco - queria que você me abraçasse e falasse que o que eu sinto por ele não é amor, que você me ensinasse o que é o verdadeiro amor.

Sem que ela percebesse ele tinha aberto os olhos e fitava o rosto dolorido da anjo, com uma das mão ele segurou uma mecha de cabelo dela o que a fez parar de chorar e encara-lo.

- Por um longo tempo eu sonhei com o dia em que você me pediria para amá-la, mas nunca pensei que seria assim. Uma confissão dolorosa para se livrar de alguém que já domina sua mente e coração.

- Por favor mesmo que seja para expulsar aquele demônio de mim, por favor me ame.

Ela foi abaixando seu rosto até que os lábios se grudaram, nenhum dos dois se mechia, apenas os lábios continuavam pressionados fortemente e as lagrimas da garota os molhava. Calmamente Susej a empurrou pra desgrudarem os lábios e a abraçou. As lagrimas silenciosas se tornaram uma torrente de magoa e dor.

Assim que ela estava mais calma Susej a encarou, com o olhar fixo nos olhos da garota falou:

- Meu anjo, eu sei que estás magoada, mas eu tenho que lhe avisar de uma coisa: a guerra não acabou ainda, meu irmão tem um descendente direto ainda vivo.

- Mas eu tinha ouvido falar que Leirgh tinha comido todos os seus filhos diretos.

- Mas ele realmente comeu quase todos, porém um sobrou e eu acho que ele é perigoso demais, principalmente a ti.

- Por que...? - Nessa hora ela lembrou do campo de batalha, a última frase de seu inimigo: “Claro que é, cabelos negros, pele morena, desejo por carne, recuperação rápida.... desejo sexual. Pois é eu conheço Aizon, ele é meu filho”, “Aizon, ele é meu filho”, “meu filho” “filho”

- Creio que por essa tua reação que você sabe bem quem é.

- Aizon..... por que ele me persegue??

- Calma eu estarei com você, mas infelizmente você terá que matá-lo.

- Por que eu? O senhor agora está aqui, poderia matá-lo facilmente agora que seu irmão está morto.

- Porque se eu o matar chegará o dia que você me odiará, então a guerra irá começar novamente. E outro motivo - sua voz abaixou e ficou receosa - egoísta da minha parte, é que eu a amo desde o dia que a trouxe para o forte, não aguento aceitar que outro ser a maculou. - Sua voz começou a se tornar colérica, coisa que poucos achavam que era possível - Eu não aceito, e ainda pensar que ela a fez chorar, eu não o perdoo. Gostaria que ele se despedaça-se no fogo ardente de Flin. Mas infelizmente esse não é o destino dele, o destino dele é ter seu coração arrancado por suas mãos.

Sem saber o que falar ou como agir ela saiu para caminhar na floresta, o general a amava e teria que matar Aizon, sozinha. O que faria? Para onde iria? Não tinha escapatória, devia sua vida a Susej, iria matar Aizon, despedaçá-lo para que não retornasse nem sob forma humana.

Quando se deu por si estava novamente naquela clareira, a água jorrando e caindo na forma de uma queda d’água. Aquele lugar a lembrava das juras de amor do demônio, da cólera de Susej quando ele descobriu o relacionamento dos dois.

Dessa vez não mergulho nas águas, apenas as encarava para ver se dali sairia alguma resposta as perguntas que desejava. E por incrível que parecesse elas lhe deram. Voou até o forte e como nova general, assim como Susej, começou a dar suas ordens. Finalmente o fim da guerra chegara.