Um mês e meio já haviam se passado da batalha e o general ainda não havia despertado, suas feridas já estavam totalmente curadas e a garota estava aprendendo a controlar seu desejo de carne. Estar com Susej era mais importante.
Manter-se com ele a fazia se sentir envergonhada pelos seus atos a fazia pensar em seus erros, mas estava definhando ali, precisava sair. A dor que ela sentia a transformou em outra pessoa, a dor de amar e ser traída a fez desejar nunca mais se apaixonar, ela ficou mais silenciosa, mais concentrada.
Ela saiu do quarto do general, pegou vestes compridas, não queria ser desejada por mais ninguém, e levando consigo a espada que havia ganho de seu mestre foi treinar. Entre tanto a falta do braço a fazia perder o equilíbrio, era difícil treinar, estava imprestável, corrompida, traída, envergonhada, destruída, lagrimas escorriam por seus olhos. Mas não iria desistir, a esperança ainda tinha pousada em seu ser, iria proteger seu mestre.
Uma semana foi o que ela levou para se acostumar com o seu corpo assimétrico, seus treinos duravam horas e assim que os acabava ia se lavar e voltava a cama de Susej e ali vigiava até Morfeu lhe estender seu manto.
Quando suas habilidades estavam novamente no ápice uma nova invasão ocorreu, dessa vez o exercito inimigo estava atacando as muralhas exteriores do forte, mas ninguém da comunidade angelical estava disposta a lutar sem o general. Yudara voou para o centro do forte onde todos estavam esperando para saber o que fariam, o desanimo era total. A coragem falou no peito da garota e sua voz ecoou pelo forte:
- Eu sei que não temos como lutar sem nosso mestre, também sei que a culpa dele não estar aqui é única e exclusiva minha - nesse momento ela calou os anjos que cochichavam criticas a ela - Mas eu não irei ficar vendo que tudo que Susej fez até agora ser destruído, quem quiser lutar pela honra dele, quem presa sua morada e parentes, lute comigo, morra em nome de quem lhes deu o sinal que vocês tanto prezam. Anjos, vamos a luta!
Sem esperar a resposta de suas palavras levantou a espada e voou pelos portos de ferro interiores, passou direto pela região mediana e aos chegar aos muros exteriores viu o exercito inimigo a sua frente e olhou para trás, estava sozinha. Com um impulso ainda mais forte voou de encontro aos inimigos, sua voz era um uivo de fúria e agonia. Ela lutava bravamente, mas não havia como vencer estando sozinha, nesse momento ela ouviu um barulho e olhou para trás, as trombetas dos anjos tocava com a vinda dos exércitos, seu chamado tinha sido aceito. Lágrimas escorriam por seus olhos e ela lutava bravamente.
O sangue gotejava nas paredes, o chão era feito de pedaços de demónios, e cadáveres humanos. Era a batalha mais violenta que já haviam enfrentado e apesar do número desigual os anjos estavam vencendo, isso animava ainda mais o exercito que limpava o forte dos invasores. Entre tanto no meio da batalha Yudara encontrou seu maior inimigo, o irmão de Susej, aquele que todos os anjos temiam, Leirgh. Ele estava lá para garantir a vitória do seu exercito infernal.
Ao ver a anjo em posição de luta com seus cabelos negros ao vento ele percebeu quem ela era, a garota por quem seu irmão havia se entregado. Se a matasse renderia seu irmão, poderia pensar em um plano para matar Ianoda, teria todos sobre o seu comando. Abriu suas assas e se impulsionou em direção a ela, iria matá-la, devorá-la na frente de seu irmão.
Armas a postos, a distancia diminuindo, as expressões de fúria, o barulho do campo de batalha e por fim o contato das gélidas e manchadas armas. Yudara lutava com toda a sua força, Leirght também. O demônio solta um golpe vertical sobre a garota, ela gira desviando se do golpe e cortando um risco na fronte de um demônio que a atacava por trás, novamente a investida sobre Leirght, bloqueada.
A dança mortal continuou por muito tempo, ambos sabendo que quem errasse morreria e entregaria o seu exercito, entregaria a guerra. Durante a luta de ambos os anjo continuavam massacrando os inimigos, a batalha estava perto do fim. Tanto anjos quanto demônios tentavam interferir na batalha da anjo de cabelos negros.
Milhares de coisas passavam na cabeça dela, a traição, seu dever para com Susej, seu desejo de continuar viva, de acabar com a guerra, Susej na cama inconsciente. Quando Susej passou por sua cabeça vacilou por alguns milésimos de segundo e um fino corte brotou em sua face. Foi o que bastou para Leirght começar a conversar com a garota:
- Por que esta lutando Yudara? Porque matar seus companheiros?
- Eu não estou matando meus companheiros, estou matando meu inimigos.
- Sei... então você ainda não percebeu que é um de nós...
- Eu não sou um demônio - Mais dois demônios que a atacaram caíram mortos ao chão.
- Claro que é, cabelos negros, pele morena, desejo por carne, recuperação rápida.... desejo sexual. - Ela se surpreendeu com o quanto ele sabia dela - Pois é eu conheço Aizon, ele é meu filho.
- Não me fale dele! - Ela gritou e cortou a cabeça de Leirght, o movimento foi tão rápido que não deu tempo sequer do demônio parar de sorrir. As nuvens desapareceram, os demônios que haviam permanecido fugiram com a morte de seu líder.
O pior inimigo de Susej havia morrido em campo de batalha, será que a guerra finalmente teria fim? será que Susej acordaria? Como ficariam os feridos? Não essa batalha não chegou ao fim. Quando ela olha para o lado vê Aizon, olhos mareados e a mão em caibra devido a luta.
Aizon foi andando para longe dali e ela o seguia. Ele foi para aquela cachoeira e do lado de uma frondosa arvore parou.
- Aizon - ela engoliu em seco e continuou - O que está fazendo aqui? Não deveria ter fugido com os seus irmãos ao me ver matar seu pai?
- Não, pois você se tornou minha fonte de vida, não sei mais viver sem você.O odio das palavras proferidas a fizeram sacar sua espada e correr em direçao a ele, porém nenhum movimento foi feito pelo demonio a não ser fechar os olhos. Quando percebeu que o ataque nunca chegaria voltou a abri-los, ela chorava com a espada colada a garganta inimiga.
- Porquê eu tinha que me apaixonar por você? PORQUE??
- Eu também não sei, mas eu te amo.
- Você é um demonio, não pode sentir amor.
- Você é um anjo e sente desejo por carne.
- Eu estou confusa, saia daqui antes que eu o mate. - E assim ele fez.