domingo, 30 de outubro de 2011

Capítulo 7 - Um ótimo plano

Um demônio sem marca não vivia, um anjo sem marca também não, junto com as mudanças de lados as memórias da vida passada se esvaiam, esse era o plano dela. Água, água viva.

Atacariam as montanhas da neve, era lá que Aizon deveria estar. Usariam pela primeira vez a habilidade de voar para ganhar uma batalha. Não seria um golpe traiçoeiro, como era pensado, era apenas usar as partes do corpo para que seus amigos nunca mais sejam mutilados. Não era um problema na teoria usar as asas para chegar as montanhas e jogar a água da fonte dos anjos, mas na prática muitos anjos tinham suas asas apenas para mostrar que eram anjos, elas não serviam para voar pois estavam machucadas, atrofiadas. E mesmo aqueles que as tinham em perfeito estado não sabiam voar.

Tirando Yudara e Susej, apenas mais 9 anjos sabiam a graciosa arte de voar. De conseguir ver as coisas do alto, porém apenas Susej conseguia ficar a mais de 7 metros acima do solo. Esses nove anjos se chamavam: Anna, Kratous, os gemeos Anemias e Arthemius, Uzequel, Liv, Eriandro, Matteo e Eliaza. Todos eles concordaram em ajudar a por em ordem as asas do exercito, sob a ordem de Yudara e Susej. Enquanto eles treinariam com Susej para poder alcançar as nuvens, e então guiar o resto do exercito.

Durante o dia milhares de anjos batiam suas assa a fim de malha-las, eles tinham sido divididos em 10 grupos, cada um ficou responsável por 2 horas do dia, sendo os da noite todos supervisionados por Yudara. Os que treinavam durante a noite era os com os problemas mais graves nas asas e Yudara aproveitava seu poder de curar os outros para por o exercito nos eixos. Apenas Susej sabia o quanto a garota estava se esforçando para que aquela guerra acabasse de uma vez por todas, pois quando raiava o dia ela se retirava para os aposentos do general e lá chorava de dor e por seu destino até dormir. Quando Flin desaparecia dos céus ela despertava novamente e continuava a treiná-los e a se mutilar.

Porém uma semana depois do inicio do treinamento suas feridas pararam de sarar, Mas ela não desistia de aliviar as dores angelicais. Mas dois dias depois a dor era tanta que ela não conseguia mais se mexer, deprimido por ver a amada em tão estado, Susej, mandou uma das cozinheiras que fizesse um caldo de carne, com sangue. A anjo ficou escandalizada, um anjo não deveria comer carne e o maior de todos os anjos lhe pedia algo cru praticamente. Porém o general foi insistente e ela fez um penelão do alimento.

Ele pegou uma concha e encheu um prato e levou para seus aposentos, e aos poucos a alimentou a com a substancia. A recuperação foi muito rapida, mas mesmo assim foi preciso de uma quantidade cavalar para que ela despertasse.

Mal despertou viu o que estava ingerindo e cuspiu e incredula falou:

- Por que está me dando esse alimento imundo?

- Porque sem ele você sofreria.

- E dai? Susej eu já estou acostumada com a dor, não precisava me curar com carne. Eu não quero ser um demônio. - Falar essa palavra lhe lembrou Aizon, que teria que matá-lo e inconscientemente olhou para o braço amputado, mas segurou a vontade de chorar.

- Você nunca será um demônio, você é minha, nunca vou permitir isso.

- Brigada Susej, não sei o que faria sem você. - disse ela o abraçando, mas seu apetite por carne havia novamente despertado em suas viceras.

- De nada, você sabe que faria de tudo por você. Eu te amo, pena que você não me ama.

- Susej, desculpa, mas ainda não consegui tirar aquele demônio do meu coração.

- Eu sei, e eu esperarei toda uma eternidade se for preciso para possuir o seu coração.

Ela abaixou a cabeça, ele se levantou convidando-a para fazer o mesmo e ir para o treino, pois já era noite. Em um mês todos tinham suas asas curadas, e conseguiam voar a 4 metros do chão, mas eram precisos 50. Susej ainda era o único que conseguia essa altura, mas Yudara e os outros 9 anjos ja conseguiam 30.

Porém houve mais um ataque de demônios, que não estavam organizados, pois Aizon ainda não havia os organizado, e muito menos ordenado o ataque. Foi facil atacá-los e testar a estratégia de batalha.

Durante o ataque Susej, ela e os 9 anjos - que haviam sido promovidos para tenentes - encheram da água vasos e sobre o exercito inimigo despejaram. Logo só se viam humanos, porém alguns anjos também foram acertados pelo liquido. Tirando a perda dos companheiros a idéia tinha sido um sucesso.

Era um ótimo plano.

Capítulo 6 - Começo do fim

Cansada da luta ela voou lentamente até o quarto do general, no caminho alguns pensaram em para-la, porém o rosto da garota estava tão abalado, e seu corpo tão ensanguentado que não tinham coragem, apenas lhe davam o caminho.

Chegando ao quarto do General, ela se deitou ao seu lado e com o único braço que possuía começou a acariciar os longos cabelos loiros e falou:

- Susej, hoje houve uma batalha aqui no forte, os demônios tentaram nos dominar. Os anjos não queriam batalhar, mas acabaram lutando. No meio acabei enfrentando o seu irmão. Sinto lhe informar que ele está morto. - Nesse momento ela deu uma pausa e uma lagrima começou a brotar em seus olhos - Eu devia ter te ouvido, não devia ter me envolvido com aquele demônio. Por minha culpa você está nesse estado, por minha culpa todos estão sofrendo agora. Eu queria que você estivesse bem - agora as lágrimas corriam livremente pela face cheia de sangue verde demoníaco - queria que você me abraçasse e falasse que o que eu sinto por ele não é amor, que você me ensinasse o que é o verdadeiro amor.

Sem que ela percebesse ele tinha aberto os olhos e fitava o rosto dolorido da anjo, com uma das mão ele segurou uma mecha de cabelo dela o que a fez parar de chorar e encara-lo.

- Por um longo tempo eu sonhei com o dia em que você me pediria para amá-la, mas nunca pensei que seria assim. Uma confissão dolorosa para se livrar de alguém que já domina sua mente e coração.

- Por favor mesmo que seja para expulsar aquele demônio de mim, por favor me ame.

Ela foi abaixando seu rosto até que os lábios se grudaram, nenhum dos dois se mechia, apenas os lábios continuavam pressionados fortemente e as lagrimas da garota os molhava. Calmamente Susej a empurrou pra desgrudarem os lábios e a abraçou. As lagrimas silenciosas se tornaram uma torrente de magoa e dor.

Assim que ela estava mais calma Susej a encarou, com o olhar fixo nos olhos da garota falou:

- Meu anjo, eu sei que estás magoada, mas eu tenho que lhe avisar de uma coisa: a guerra não acabou ainda, meu irmão tem um descendente direto ainda vivo.

- Mas eu tinha ouvido falar que Leirgh tinha comido todos os seus filhos diretos.

- Mas ele realmente comeu quase todos, porém um sobrou e eu acho que ele é perigoso demais, principalmente a ti.

- Por que...? - Nessa hora ela lembrou do campo de batalha, a última frase de seu inimigo: “Claro que é, cabelos negros, pele morena, desejo por carne, recuperação rápida.... desejo sexual. Pois é eu conheço Aizon, ele é meu filho”, “Aizon, ele é meu filho”, “meu filho” “filho”

- Creio que por essa tua reação que você sabe bem quem é.

- Aizon..... por que ele me persegue??

- Calma eu estarei com você, mas infelizmente você terá que matá-lo.

- Por que eu? O senhor agora está aqui, poderia matá-lo facilmente agora que seu irmão está morto.

- Porque se eu o matar chegará o dia que você me odiará, então a guerra irá começar novamente. E outro motivo - sua voz abaixou e ficou receosa - egoísta da minha parte, é que eu a amo desde o dia que a trouxe para o forte, não aguento aceitar que outro ser a maculou. - Sua voz começou a se tornar colérica, coisa que poucos achavam que era possível - Eu não aceito, e ainda pensar que ela a fez chorar, eu não o perdoo. Gostaria que ele se despedaça-se no fogo ardente de Flin. Mas infelizmente esse não é o destino dele, o destino dele é ter seu coração arrancado por suas mãos.

Sem saber o que falar ou como agir ela saiu para caminhar na floresta, o general a amava e teria que matar Aizon, sozinha. O que faria? Para onde iria? Não tinha escapatória, devia sua vida a Susej, iria matar Aizon, despedaçá-lo para que não retornasse nem sob forma humana.

Quando se deu por si estava novamente naquela clareira, a água jorrando e caindo na forma de uma queda d’água. Aquele lugar a lembrava das juras de amor do demônio, da cólera de Susej quando ele descobriu o relacionamento dos dois.

Dessa vez não mergulho nas águas, apenas as encarava para ver se dali sairia alguma resposta as perguntas que desejava. E por incrível que parecesse elas lhe deram. Voou até o forte e como nova general, assim como Susej, começou a dar suas ordens. Finalmente o fim da guerra chegara.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Capitulo 5 - Morte

Um mês e meio já haviam se passado da batalha e o general ainda não havia despertado, suas feridas já estavam totalmente curadas e a garota estava aprendendo a controlar seu desejo de carne. Estar com Susej era mais importante.

Manter-se com ele a fazia se sentir envergonhada pelos seus atos a fazia pensar em seus erros, mas estava definhando ali, precisava sair. A dor que ela sentia a transformou em outra pessoa, a dor de amar e ser traída a fez desejar nunca mais se apaixonar, ela ficou mais silenciosa, mais concentrada.

Ela saiu do quarto do general, pegou vestes compridas, não queria ser desejada por mais ninguém, e levando consigo a espada que havia ganho de seu mestre foi treinar. Entre tanto a falta do braço a fazia perder o equilíbrio, era difícil treinar, estava imprestável, corrompida, traída, envergonhada, destruída, lagrimas escorriam por seus olhos. Mas não iria desistir, a esperança ainda tinha pousada em seu ser, iria proteger seu mestre.

Uma semana foi o que ela levou para se acostumar com o seu corpo assimétrico, seus treinos duravam horas e assim que os acabava ia se lavar e voltava a cama de Susej e ali vigiava até Morfeu lhe estender seu manto.

Quando suas habilidades estavam novamente no ápice uma nova invasão ocorreu, dessa vez o exercito inimigo estava atacando as muralhas exteriores do forte, mas ninguém da comunidade angelical estava disposta a lutar sem o general. Yudara voou para o centro do forte onde todos estavam esperando para saber o que fariam, o desanimo era total. A coragem falou no peito da garota e sua voz ecoou pelo forte:

- Eu sei que não temos como lutar sem nosso mestre, também sei que a culpa dele não estar aqui é única e exclusiva minha - nesse momento ela calou os anjos que cochichavam criticas a ela - Mas eu não irei ficar vendo que tudo que Susej fez até agora ser destruído, quem quiser lutar pela honra dele, quem presa sua morada e parentes, lute comigo, morra em nome de quem lhes deu o sinal que vocês tanto prezam. Anjos, vamos a luta!

Sem esperar a resposta de suas palavras levantou a espada e voou pelos portos de ferro interiores, passou direto pela região mediana e aos chegar aos muros exteriores viu o exercito inimigo a sua frente e olhou para trás, estava sozinha. Com um impulso ainda mais forte voou de encontro aos inimigos, sua voz era um uivo de fúria e agonia. Ela lutava bravamente, mas não havia como vencer estando sozinha, nesse momento ela ouviu um barulho e olhou para trás, as trombetas dos anjos tocava com a vinda dos exércitos, seu chamado tinha sido aceito. Lágrimas escorriam por seus olhos e ela lutava bravamente.

O sangue gotejava nas paredes, o chão era feito de pedaços de demónios, e cadáveres humanos. Era a batalha mais violenta que já haviam enfrentado e apesar do número desigual os anjos estavam vencendo, isso animava ainda mais o exercito que limpava o forte dos invasores. Entre tanto no meio da batalha Yudara encontrou seu maior inimigo, o irmão de Susej, aquele que todos os anjos temiam, Leirgh. Ele estava lá para garantir a vitória do seu exercito infernal.

Ao ver a anjo em posição de luta com seus cabelos negros ao vento ele percebeu quem ela era, a garota por quem seu irmão havia se entregado. Se a matasse renderia seu irmão, poderia pensar em um plano para matar Ianoda, teria todos sobre o seu comando. Abriu suas assas e se impulsionou em direção a ela, iria matá-la, devorá-la na frente de seu irmão.

Armas a postos, a distancia diminuindo, as expressões de fúria, o barulho do campo de batalha e por fim o contato das gélidas e manchadas armas. Yudara lutava com toda a sua força, Leirght também. O demônio solta um golpe vertical sobre a garota, ela gira desviando se do golpe e cortando um risco na fronte de um demônio que a atacava por trás, novamente a investida sobre Leirght, bloqueada.

A dança mortal continuou por muito tempo, ambos sabendo que quem errasse morreria e entregaria o seu exercito, entregaria a guerra. Durante a luta de ambos os anjo continuavam massacrando os inimigos, a batalha estava perto do fim. Tanto anjos quanto demônios tentavam interferir na batalha da anjo de cabelos negros.

Milhares de coisas passavam na cabeça dela, a traição, seu dever para com Susej, seu desejo de continuar viva, de acabar com a guerra, Susej na cama inconsciente. Quando Susej passou por sua cabeça vacilou por alguns milésimos de segundo e um fino corte brotou em sua face. Foi o que bastou para Leirght começar a conversar com a garota:

- Por que esta lutando Yudara? Porque matar seus companheiros?

- Eu não estou matando meus companheiros, estou matando meu inimigos.

- Sei... então você ainda não percebeu que é um de nós...

- Eu não sou um demônio - Mais dois demônios que a atacaram caíram mortos ao chão.

- Claro que é, cabelos negros, pele morena, desejo por carne, recuperação rápida.... desejo sexual. - Ela se surpreendeu com o quanto ele sabia dela - Pois é eu conheço Aizon, ele é meu filho.

- Não me fale dele! - Ela gritou e cortou a cabeça de Leirght, o movimento foi tão rápido que não deu tempo sequer do demônio parar de sorrir. As nuvens desapareceram, os demônios que haviam permanecido fugiram com a morte de seu líder.

O pior inimigo de Susej havia morrido em campo de batalha, será que a guerra finalmente teria fim? será que Susej acordaria? Como ficariam os feridos? Não essa batalha não chegou ao fim. Quando ela olha para o lado vê Aizon, olhos mareados e a mão em caibra devido a luta.

Aizon foi andando para longe dali e ela o seguia. Ele foi para aquela cachoeira e do lado de uma frondosa arvore parou.

- Aizon - ela engoliu em seco e continuou - O que está fazendo aqui? Não deveria ter fugido com os seus irmãos ao me ver matar seu pai?

- Não, pois você se tornou minha fonte de vida, não sei mais viver sem você.
- Pare de besteiras demonio, você me traiu, me matou.

O odio das palavras proferidas a fizeram sacar sua espada e correr em direçao a ele, porém nenhum movimento foi feito pelo demonio a não ser fechar os olhos. Quando percebeu que o ataque nunca chegaria voltou a abri-los, ela chorava com a espada colada a garganta inimiga.

- Porquê eu tinha que me apaixonar por você? PORQUE??

- Eu também não sei, mas eu te amo.

- Você é um demonio, não pode sentir amor.

- Você é um anjo e sente desejo por carne.

- Eu estou confusa, saia daqui antes que eu o mate. - E assim ele fez.

Capitulo 4 - A guerra

Os treinamentos com o general haviam retornado, todos os dias acordava as aproximadamente as 10 da manha para comer com o anfitrião, batalhavam até a hora do almoço e a tarde voltavam ao treino. Ela estava ficando muito boa, foi o primeiro anjo a cansar Susej e, com ela, ele usou sua força total pela primeira vez desde a ultima batalha contra o seu irmão.

Aquele seria o seu dia de folga então dormia tranquilamente. Flin estava em seu ápice quando o sinal tocou. Sinos entoavam em todos os cantos do forte. O sino da batalha que tanto ansiava. Correu, para junto da multidão, mas no meio do trajéto Susej a barrou e puxou para uma sala vazia.

- Yudara nós não temos muito tempo, entre tanto eu preciso lhe entregar algo antes da batalha. - Parando um pouco de falar retirou sua espada da bainha e a entregou, enquanto os olhos da anjo brilhavam ele acabava de tirar a bainha para lhe entregar também - Pense nisso como um presente para a minha melhor pupila - e lhe dando um beijo na testa ameaçou se retirar, porém não se mexeu pensando no que devia falar, por fim decidiu - Você quebrou a promessa que me fez de nunca mais se encontrar com um demônio sem ser em minha presença, mas eu te perdoo. Tome cuidado e tente se perdoar depois de descobrir o porque de eu ter te feito jurar aquilo.

Com os olhos lacrimejantes ele se retirou deixando a confusa, porém essa confusão se desfez ao ouvir novamente o ribombar dos sinos. O exercito partia.

Ela correu para acompanhá-los e conseguiu ficar em um lugar perto da linha de frente, onde podia ver o seu comandante.

Como em câmera lenta o general voou na frente gritando palavras de conforto e de coragem, Yudara cada vez se sentia mais vibrante, mas animada. Os gritos pararam, todos avançavam e ela com eles. Os anjos ao seu lado caiam, mas ela prosseguia. Matar a deixava extasiada, era refrescante, viciante. Ela abriu um circulo de demônios ao seu redor e os matava rapidamente. Em um dado momento existiam dois círculos no exercito inimigo, um dos centros era Susej outro Yudara, o resto dos anjos faziam uma linha de encontro com os demônios. Ela lutava bravamente, seu corpo pingava a sangue vermelho, humano, e um sangue verde, demoníaco. Como era boa aquela sensação, mas a luta que já se desenrolava em câmera lenta parou para Yudara. Aizon estava na sua frente, um passo a frente dos monstros que a cercavam, com pose de combate. Ele ergueu sua coluna ao vê-la abaixar sua arma, ele se aproximou dela e a abraçou. Seus corpos suados e ensanguentados se grudavam, uma caricia amorosa dentre os mortos.

Com suas unhas afiadas o demônio arranhou levemente o pescoço da anjo e a beijou, o ultimo beijo da existência da garota. Com um movimento rápido decepou o braço direito dela e fincou sua espada no meio de seu peito. E antes que o corpo dela caísse ao chão ele a deixou entregue aos seus companheiros, mas antes que eles atacassem alguém os interrompeu. Era Susej, ele lutava com toda a sua fúria, mas eles eram muitos e o cheiro da anjo havia se intensificado, queriam come-la, estupra-la. O braço decepado da garota havia sido levado pelo amante a propósito de virar o seu saboroso lanche. Ela não era a primeira que ele havia traído, mas fora a melhor, a única que ele não devorou por inteiro. Não aguentaria vê-la implorar por sua vida, vê-la dizer que ele a traiu. As outras ele apenas arranjava um jeito de atrair para um canto quieto e matar. Depois de morta ele as estuprava e as comia, mas Yudara foi diferente. Com ela ele conversou, com ela ele fez amor pela primeira vez, ela roubou o seu coração com seu jeito líbinoso porém infantil.

Enquanto o demônio se afastava ela estava caída no chão da batalha, chorando, enquanto Susej lutava em seu lugar. Mas o número desigual conseguia feri-lo, ele estava fraco e numa ultima tentativa de salvá-la deitou o seu corpo sobre o dela e desmaiou. Os seres nojentos arrancavam as penas do general, seus cabelos e suas vestes. Por horas isso continuou até que os demônios se cansaram de humilhar o exercito angélico e se retiraram.

Semanas se passaram até que Yudara acordasse. Quando ela acordou a primeira coisa que ela fez foi olhar seu braço amputado, ou deveria dizer o que um dia fora o seu braço, pois ali apenas se via o seu ombro e uma faixa cobrindo o lugar onde deveria começar o seu braço. A eterna lembrança de seu coração partido, de sua traição para com Susej.

- Susej, cadê ele? - ela exclamou ao lembrar do anjo que suicidamente a salvara. Tentou levantar mas um anjo forte a impediu, ela não dava mais choques. O anjo desconhecido a segurava na maca, mas ela foi mais forte, mesmo debilitada, e se desvencilhou dele.

Seus olhos deviam estar pegando fogo, pois ele, ao encara-los, lhe abriu espaço. Ela andou cambaleante até os aposentos de Susej, ele estava deitado ainda inconsciente. Um anjo estava com ele, não era preciso perguntar para saber que todos sabiam que era culpa dela o general estar naquele estado. O anjo médico saiu do recinto deixando-os a sós.

Ela se sentou na cama vendo aquelas feridas horríveis cobertas por faixas húmidas de sangue e remédio, seus dedos penteavam os cabelos dourados do seu salvador enquanto sua mente vagava penas oceanos de culpa que inundavam sua alma.

Flin se levantava e se punha, mas a anjo não saia do lado do seu salvador. Até a noite em que Amber apareceu sozinha nos céus, seu brilho encheu o aposento e a garota, que mesmo morrendo de fome de carne não saia do lugar, começou a sentir um arrepio em sua coluna, uma dor entre suas asas. Pareciam brasas lambendo sua pele, mas assim como a dor veio ela passou. Porém as pontas dos seus dedos formigavam e clamavam por tocar as feridas do anjo e assim o fez. Primeiramente tirou as bandagens e então ferida por ferida ela tocou, e uma por uma desapareceu do corpo do anjo. Mas havia um preço, assim como tudo na vida da garota, as feridas apareciam nela. Uma por uma ela curou, mesmo hesitando nas primeiras ao ver o que acontecia com seu corpo, porém ela não podia curar as feridas do braço direito dele, pois ela não possuía mais esse membro.

Quando Flin dominou os céus na manha seguinte e os médicos vieram visitar o paciente encontraram algo inusitado, a garota estava desmaiada sobre a cama de Susej toda ferida e sangrando, enquanto o general repousava tranquilamente sem muitas feridas. Eles a depositaram em um sofá no mesmo aposento e sem muito cuidado cuidaram da maioria de suas feridas até perceberem o que havia se passado, entre tanto eles apenas perceberam, mas não chegaram a entender o porquê daquilo ter acontecido. Como poderia alguém roubar as feridas alheias?

Mas antes que continuassem com o questionário ela acordou, ainda mais dolorida do que antes. Sem dar explicações voltou-se ara a cama do general e ali se abrigou novamente a acariciar as mechas que caiam no travesseiro.

Capitulo 3 - A recompensa de um pecado

Ao vê-lo ir embora ela toca com os dedos o lugar onde havia sido beijada de forma tão doce.

- Aizon, creio que não será você que estará ao meu dispor e sim eu aos seus caprichos.

Ainda com fome ela pegou um pequeno cabrito que estava ali e o levou para fora das muralhas. Lá ela largou o animal morto e fez uma fogueira, estava faminta e fascinada pelo gosto da boca do seu amante, que animal será que ele havia acabado de comer? Tinha um gosto tão bom. Ela se perguntava essas coisas enquanto arrancava pequenos pedaços do animal, cuja carne ainda estava crua.

Quando acabou de saciar a sua fome ela caminhou pela mata, que virou uma floresta densa, até encontrar uma cachoeira. Tirando suas vestes rasgadas e maculadas pelo seu próprio sangue as lavou nas gélidas águas. Mas não suportou ficar ali apenas olhando suas roupas secarem então as pendurou em alguns galhos e subindo na queda-d’água pulou.

Seu corpo nu brincava com as luzes difusas de Flin no fundo do rio, seus olhos brincavam de procurar tesouros e cavernas submersas, porém uma forte mão agarrou os seus cabelos e a trouxe a superfície. Assustada, molhada e nua, ela olhou espantada para o seu agressor que logo após a deixar em pé lhe deu um tapa na cara.

- Cubra-se - foram as únicas palavras do anjo.

- Desculpe-me senhor, eu não queria ter saído sem a sua permissão, mas não aguentava fica lá. Realmente me perdoe - ela falava de cabeça baixa e com o coração. Não queria ter fugido da mansão de Susej, mas precisava de carne, necessitava de espaço para respirar sem ter os olhares angelicais sobre ela.

- Cale-se e se cubra - Sua voz era ainda mais amedrontadora do que antes.

Mais do que de presa ela colocou as suas roupas húmidas e rasgadas sobre seu formoso corpo.

- O que houve com as suas vestes? - ele perguntou com uma voz mais amena, ela ensaiou uma resposta entre tanto quando abriu a boca para soltar a explicação ele a interrompeu - Pensando bem não quero saber, eu sei que você iria mentir para mim e me soltar uma história falsa, mas convincente. Estou decepcionado com você Yudara. Você era para ser o modelo de anjo, o modelo de lutadora, era para ser o meu orgulho, e mesmo assim deixa roubarem a sua pureza, - os olhos dela se arregalaram com a duvida de como ele saberia disso - ingere carne crua e tenta seduzir a todos. Você me decepcionou, não precisa comparecer amanhã na comemoração onde você receberia o meu sinal.

Pois é, diferente dos demônios, os anjos tinham a escolha de servirem a Susej, de ter a sua marca. É claro que era raríssimo um anjo não querer tê-la, tão raro que o único que não quis perdeu as suas asas e virou o primeiro humano, o primeiro demônio.

- Mas senhor como irei ficar sem o sinal? Não poderei ir a batalha.

- Eu sei, mas eu não quero que você o tenha apenas para isso. Ter o meu sinal significa me pertencer de corpo e alma, significa querer dar sua vida para salvar a minha, querer seguir as minhas ordens e, o mais importante, querer ter uma vida pura e contraria a dos demônios. Você está disposta a fazer esse voto comigo?

Ela simplesmente parou de andar e ali perto das muralhas exteriores ela começou a chorar. Nesse momento Susej também parou, doía nele também. Queria consolá-la, abraça-la, dizer que era como uma filha para ele e que jamais deixaria que a machucassem, mas isso não era possível. Então se voltou a ela e com a expressão mais mascarada que pode falou:

- Irei te esperar em minha casa, depois de amanhã continuaremos o treinamento.

Como resposta ela apenas balançou a cabeça afirmativamente e ele se foi. Ela estava lá sozinha e sabia que a partir do dia seguinte os olhares de asco que caiam sobre ela iriam se replicar, afinal era uma anjo com a idade de ir para a guerra, mas que não iria, era alguém que tinha o privilégio de viver com Susej, porém não possuía a marca do General. As feridas já profundas dos olhares iriam apunhalá-la mais uma vez.

- Não - ela gritou e seus joelhos foram ao chão, as mãos ao peito. Teria que dar um jeito, ela iria escapar disso. Tinha que escapar disso.

Ela ficou ali prostrada até a chegada de Orion, até que conseguiu reunir forças para partir rumo a casa de seu general tão formoso. E lá ceou o clássico prato de grama que além do gosto habitual estava com textura de plástico. E foi dormir.

Flin estava no seu ápice no céu quando ela se levantou. A celebração já havia se iniciado. Ela ouvia os gritos entusiasmados da multidão do lado de fora do salão, o salão em que só ela e os demais jovens estariam, onde seus braços seriam marcados a fogo, um fogo gelado em forma de pedra, mas que deixava uma cicatriz igual ao fogo normal, mas que não doía.

Os berros era incríveis, eram a forma em que os anjos encontravam de dar força aos seus jovens aliados. Mas eles furavam o peito da jovem que saindo do seu quarto foi a ferraria e desesperada pegou um pedaço de carvão porém ela ouviu os berros se intensificarem e parou por um momento, esse momento foi o bastante para que o carvão queimasse a sua mão. Ela soltou o carvão e com a outra mão segurou a queimada por reflexo. No entanto antes que ela pudesse amaldiçoar a dor a porta da ferraria se abriu e lá estava o dono da marca. Susej estava parado ali observando o que ela fazia.

- O que você está fazendo Yudara?

Ela se manteve em silencio. Ele se aproximou um passo. Os olhos dela lacrimejaram por lembrar o que sofreria ao sair ao ar livre sem a marca. Ele se aproximou mais um pouco. Numa medida desesperada ela se voltou ao carvão ainda incandescente, o pegou, olhou para Susej, a primeira lagrima cai, fecha os olhos e com força finca o carvão em seu braço esquerdo, mais lagrimas lavam seu rosto com fuligem. Susej apenas observava a cena e ao vê-la soltar, por fim, o objeto que a queimara foi em sua direção e segurando firmemente seus pulsos perguntou:

- Você me odeia tanto assim? - Ela começou a chorar pela dor em seu braço e em seu peito - Eu queria que isso fosse um momento feliz e não de dor. - lagrimas singelas percorreram o corpo do maior, mas ele continuou - mas, por amor a você, vou transformar este em um sinal verdadeiro - então ele soltou um dos pulsos da garota para pegar uma pedra que jazia em seu bolso e a encostou na queimadura do braço dela, que a principio doeu mais que a primeira queimadura, tanto que ela mordeu o ombro do general afim de conter o berro de dor, porém ela mordeu tão forte que o sangue do anjo escorreu por seus lábios, um gosto doce e viciante. O gosto dos lábios de Aizon. Aos poucos a dor das queimaduras passou e ela soltou seus dentes do ombro alheio. A dor deu lugar a um frio confortável. - Não conte isso para ninguém e jamais chegue perto de outro demônio que não seja em minha presença ou na guerra.

Ao terminar de falar ele deixou a pequena garota no estábulo e voltou a comemoração cobrindo o ombro, sem que ninguém da multidão que comemorava, nem os que participavam da comemoração entendesse a sua saída.

A dor de sua mão queimada ainda incomodava um pouco mas já começava a cicatrizar e um lugar para carne se abriu em seu estômago. Parecia que era uma cobrança de seu corpo, toda vez que se feria se curava de forma sobrenatural, até para os padrões de Amaron, mas precisava ingerir carne.

Novamente saiu dos portões e foi aquela cachoeira de alguns dias atrás. Lá encontrou um pequeno coelho que foi limpo e comido. Mas o dia estava morno e sua mente abrotada, queria mergulhar e se afogar naquelas límpidas aguas, e ali mergulhou nua novamente.

Duas horas já haviam se passado desde que ela entrara na água e ainda não haviam sinais de que dali ela sairia, até que ele chegou. Quando os olhos dela o viram seu corpo estremeceu, seu novo sinal coçou, precisava dele. Aizon estava ali.

- Aizon, o que fazes aqui?

- Eu estava com saudades de ti. - Sua voz era grossa e meio rouca, muito excitante.

- Eu também estava...

Ao ouvir isso o demônio retirou as suas vestes e colocou suas pernas na agua e sentou na beira do rio, seu membro pulsava. Ela chegou perto dele, mas como ele escolhera a parte mais funda ela estava quase totalmente coberta. Ele agarrou os cabelos da anjo e a obrigou a fazer lhe um oral, ela sentia prazer ao faze-lo, ao sentir que estava dando prazer ao seu primeiro amor. Quando ele estava a gozar arrancou o novo brinquedo da boca da jovem e mergulhou no rio. A jogou contra a parede de pedra que havia na borda do rio e ali a possuiu de forma mais intensa que da primeira vez, mais carinhosa.

Quando terminaram o ato ele a levou no colo até a margem e ambos ficaram deitados na grama, trocando caricias, até secarem. O demônio apenas falava juras de amor, que daria um jeito de ficarem juntos, mesmo que ele se matasse para virar um mísero humano e ficar com ela.

Finalmente Orion brilhou em um canto de Amaron enquanto Flin ia vagando embora no outro extremo. Eles de despediram e ela voltou ao lado de Susej, que não comentou a sua estadia fora.

Capítulo 2 - Aizon

Os anjos voltavam para o seu forte, o rosto abatido e sujo pela batalha. Susej voltava com a pequena Yudara nos braços. “Isso é estranho, o general com um sobrevivente? Nunca.” eram os cochichos que se ouviam pelas ruas. Alguns se ofereceram para levá-la a enfermaria abarrotada, mas o grande general não se permitia largar o pequeno bebê de cabelos negros.

Ao chegar em sua casa, Susej, chamou seus mais leais servos para cuidar da menina e reuniu um conselho dos mais sábios. O conselho era para saber quem seria o tutor da criança. A mente dele não saia de perto dela um instante sequer, ela era como a ressaca do mar para ele, o sugava.

Então foi decidido, o casal responsável pela menina seria dos melhores lutadores do reino: Abigail e Nios. E sem demora foi lhes mandada uma carta pedindo que aceitassem a oferta de criá-la como filha.

Não é necessário dizer que o convite foi aceito sem demora e assim que Yudara estava recuperada eles a vieram buscar, mas ao tocarem em seu frágil corpo levaram um choque. Uma corrente que já havia sido sentido pelos responsáveis por cuidar de suas feridas, uma sensação que trazia a mente cenas terríveis para os anjos. Porém por não quererem entristecer Susej eles aceitaram o trabalho.

Voltaram para casa e imediatamente a soltaram. Era horrível tocar sua pele, ela parecia viscosa, repugnante ao toque, mas bela à vista. Tudo nela chamava ao toque.

E ela foi crescendo, sem jamais ver Susej. Aos cinco anos de idade seus pais perderam as assas em meio ao forte, mas não viraram humanos, eles viraram demônios. Com isso se fez um boato de que todos que tocasse Yudara virariam demônios. O pequenos anjos foram proibidos de conversar com ela, foram ensinados a odia-la.

Após o ocorrido com seus tutores a população angelical começou a ver que ela era diferente deles. Os anjos tinham cabelos loiros ou ruivos, os dela eram negros; todos eram brancos, ela era bronzeada; os olhos deles: azuis, dela: verdes, como do demônio inicial antes de virar um demônio; eles vegetarianos, ela comia carne as vezes; e as diferenças continuavam. Até as suas assas eram diferentes, eram cinzas e não brancas como a neve. Aquilo começou a incomodar e ela cresceu nas periferias da cidade dos anjos, pois lá podia arranjar carne fresca.

Doze anos se passaram. Seu corpo se desenvolveu se transformando eu uma tentação aos jovens anjos que a desejavam e regrediam a suas formas humanas. Ela mesma tinha libido, mas queria algo intenso e não o mísero amor dos anjos. Puro, igualitário, sem ciúmes, onde se juntava corpo e alma de uma forma tal que era considerados apenas um. Se a anjo morresse o seu marido seguiria o mesmo caminho, se o marido morresse a mulher o seguiria. Mas Yudara queria algo carnal, algo a força. Mas mesmo assim ela continuava a fingir-se um anjo normal.

Então em um dia ensolarado andando pela cidade ela bateu em um homem muito bonito.

- Desculpe-me senhor....

- Perdão pesso eu a ti Yudara.

Espantada com o Senhor desconhecido que a chamara pelo nome ela continuou o dialogo.

- O senhor me conhece?

- Sim, desde o dia em que te trouxe para ca.

- Não entendo...

- Eu sou Susej - diante dessa afirmação ela se prostrou diante dele encostando sua cabeça no solo - Não se prostre querida.

Ainda com a cabeça no chão e falou:

- Perdão senhor, mas não sou digna de olhar-te, sou indigna de pisar na sua sombra, contudo quase o levei ao chão por minha falta de atenção.

- Eu te perdoo, já que essa é a única forma de você se levantar. Vamos se levante. Fazem 16 anos que não a vejo. Está linda.

Forçada a levantar pelas abeis mãos do general ela o fez, mas sem encara-lo. Ele possuía muito poder, o que fazia com que agora, que sabia quem era, não quisesse ter nascido.

- Vamos, fale algo.

- Perdão senhor, mas não saberia o que falar com o senhor.

- Que tal primeiro parar de me chamar de senhor - então ele soltou uma risada tão gostosa que a fez encara-lo e antes que desviasse o olhar ele segurou o seu queixo. E falando seriamente continuou - Quero te ensinar o caminho da espada, você morará comigo de agora em diante.

- Não tenho palavras sen, digo, Susej. A espada é o instrumento que mais quis usar em toda minha vida. Mas como disse, sou indigna de ser vossa pupila e mais ainda de dormir sobre o seu teto.

- Ahhhh como as vezes é difícil manter a paciência - e sem exsitar pegou seu pulso e a arrastou para dentro de sua propriedade e a empurrou para uma parede.

- Aiii isso dói.... - mas antes que conseguisse continuar a reclamar de forma sedutora, afinal tudo nela lembrava o libido, seu cheiro, sua pele, suas curvas, tudo; Susej lhe jogou uma espada dourada.

Ela pegou a espada de forma não muito habilidosa, porém de forma mais graciosa que qualquer aprendiz na sua primeira vez. Seus olhos grudaram da fina lamina brilhante e quase não viu o ataque de seu mestre. Susej a atacava sem dó nem piedade, queria ver os seus dons inatos e realmente viu que a jovem possuía um ótimo reflexo e noções de espaço, entre tanto lhe faltava técnica.

O treino continuou por 5 horas sem nenhum dos dois pestanejar, mas então o general ameaçou parar para que a garota descansasse e cuidasse dos pequenos cortes que existiam em seus braços e rosto, ela não permitiu. Seu orgulho falava mais alto. Tinha que vencer, ia vencer, porém o cansaço começava a deixá-la mais lenta, tantas coisas a pensar. Seus corte ficavam cada vez mais profundos, apesar de Susej tentar ao máximo não faze-lo. Ele lutava como lutava com qualquer anjo, sem usar todo o seu poder, mas não tão fraco a ponto de parecer que lutava com um aprendiz.

Mais 4 horas de treino passaram até que em um golpe ele cortou um risco em sua face já manchada de sangue. Esse golpe foi o suficiente para fazê-la perder o equilíbrio e deitada no chão pegar no sono, estava exausta. Então pegando a nos braços a levou ao quarto ao lado do seu.

Um dia inteiro se passou antes que a jovem despertasse. Incrivelmente as suas feridas haviam sarado sem ninguém toca-la, mas ela estava com fome e um mísero prato de grama, como ela chamava em sua mente, não seria o bastante.

Correu para fora do palácio, para fora dos muros internos, dos muros medianos e, ao chegar aos muros externos parou. Ali havia um demônio, mas um demônio diferente dos outros, ele era belo. Pele alva e sem marcas, alto e forte, cabelos sedosos e negros como os dela, olhos vermelhos como sangue, dentes pontudos pingavam o sangue da sua ultima refeição. Ela olhava atentamente as gotículas rubras escorrerem pelo queixo angular do demônio, descerem pelo seu pescoço e se perderem por entre suas vestes acinzentadas. Como ela queria se entregar ao demônio, ser possuída por ele, ter seu sangue sugado. Não, deveria parar de sonhar com isso, era uma anjo, inimiga daquele ser.

Porém o demônio percebeu que ela não o atacaria e resolveu seduzi-la. Rapidamentente seus fortes braços a prenderam na muralha, nuas pernas abriram as dela sem cerimonia, os lábios roçaram aos dela e assim ela se entregou a um beijo inusitado e cheio de malícia. Ela desejava o demônio e ele queria corrompe-la. Mordidas e arranhões eram dadas por ele, ela se contentava em aproveitar as sensações e soltar pequenos gemidos. Era como ela sempre sonhava, algo a força, egoísta, quente e sem regras a seguir.

O demônio rasgou a saia de Yudara e as suas vestes de baixo. Com o caminho livre ele a fez dele, com o rompimento de sua virgindade, afinal ninguém ousava tocá-la de qualquer forma, ela ameaçou um urro de dor, mas esse urro foi mantido em seus lábios pelo beijo do demônio. Os corpos se mexiam rapidamente, estonteantemente. O ápice chega e o demônio a larga de uma forma ainda mais inesperada, então ele cola seu corpo vestido ao da garota, entrelaça seus dedos aos dela e com um beijo calmo e cheio de carinho e compreensão diz:

- Meu nome é Aizon, ao seu dispor - e com uma reverencia ele se vai.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Capitulo 1 - Uma nova recruta

Naquela manha Flin estava nos céus com um brilho carmim. Armaron tremia com o som das trombetas de batalha. Mais uma vez os anjos atacavam as planices. Mas a luta estava indo muito mal, 29 mil anjos já tinham sido perdidos, 13 mil demônios viraram humanos. Susej estava na linha de frente contra o demônio inicial. A luta deles era épica, cheia de movimentos perteitos, porém o anjo não usava toda a sua força. E Leirgh sabia muito bem disso, e o enxia de raiva pelo seu irmão.
- Leir, por que vai contra o nosso pai, por que vai contra mim meu irmão?
- Eu talvez lhe conte mais uma vez, mas será a ultima. Teu pai sempre te favoreceu! Nunca percebeu? Você era o anjo inicial, destinado a viver para sempre como o general dos anjos, já eu era para ser apenas mais um humano... - sua voz era sobilante e grossa. Como se não a usa-se a umuito tempo.
- Não fale essas mentiras. Você sabe que foi gerado como um anjo inicial, como eu. Nós somos gemeos! Mas em sua ansia de ser o unico arrancou as asas e depois tentou recupera-las. Ficando assim como estas...
- Cale-se! Eu não me importo com verdades ou meia dela, ou talvez a ausencia da mesma. Eu crio no que creio, não sou como você que ainda acredita que nosso pai ainda está vivo. Afinal a quanto tempo mesmo você não o vê? - um sorriso de escarnio brotou em seus lábios ao ver o poder de suas palavras. Mas ele não durou muito, pois a reaçao do anjo foi veloz.
Em um único corte ele decepou o braço negro e de lá jorrou um sangue verde viscoso. Leirgh gritou e todos os demônios pararam a chacina pois a marca de fogo em seus braços queimou conforme a dor de seu mestre. E correndo por todos os lados a batalha acabou.
Muitos anjos regozijaram, muitos entraram em pânico devido a cara de Susej. E realmente tinham razão para isso, seu rosto demonstrava uma furia incontrolável, seu corpo tremia de tal forma que seus joelhos dobraram e ele se prostrou e batendo suas mãos ao chão gritando um uro de dor. Nisto os que comemoravam o termino da batalha se calaram e choraram pela morte de seus companheiros. Nuvens cobriram Flin, Armaron escureceu e uma grossa chuva começou a cair, enlameando o campo de batalha. Os anjos começaram seu triste trabalho de encontrar os feridos que tinham cura, separá-los dos humanos. Um triste trabalho a ser feito, pois era próximo de um vilarejo de humanos que estavam se tornando anjos. Em poucos meses eles teriam se tornado, se não fosse o ataque. Muitas crianças haviam acrescentado as linhas de frente dos sombrios, homens e mulheres não puderam impedir sua transformação também, porém algumas pessoas se mantiveram. E era por elas que os anjos ainda não voltaram para casa. Susej tentando acalmar a si mesmo e aos companheiros começou a ajudar na busca por sobreviventes. Lágrimas caiam por seus olhos, afinal para que aquela batalha aconteceu? Para anjos morrerem? Só para ferir seu irmão? Porque seu pai lhe mandou fazer isso? Será que realmente foi seu pai quem mandou?
Sua mente estava tão abarrotada de perguntas que quase não percebeu um bebê que estava ensanguentado no chão. Era uma garotinha com uma ferida mortal, mas ela lutava contra a morte. Suas minusculas asas sumiam e voltavam a aparecer, apesar de cada vez demorar mais de reaparece. Quando se abaixou para pega-la ela parou de respirar, mas, mesmo sabendo ser contra a lei tocar em um ser morto, não parou o movimento e a pegou no colo. Nesse momento suas feridas começaram a se curar, lentamente. Ela voltou a respirar e suas asas deixaram de desaparecer. Nesse momento ele soube que ela seria uma otima lutadora, que lutaria sempre ao lado dele, sem jamais sucumbir a dor, ao frio. Ela seria uma lutadora dedicada.
Quando percebeu isso entendeu o plano de seu pai: perder essa batalha para ganhar alguem que ganharia a guerra.
O nome que ele a deu foi de Yudara. Que significava apenas "rainha da guerra", "princesa escolhida", mas esses são os significados "bons" existe ainda mais um, que poucos se lembravam, "amavel, mas não amada". E no futuro ela descobriria que esse era seu destino.