terça-feira, 5 de outubro de 2010

Capítulo 2 - Aizon

Os anjos voltavam para o seu forte, o rosto abatido e sujo pela batalha. Susej voltava com a pequena Yudara nos braços. “Isso é estranho, o general com um sobrevivente? Nunca.” eram os cochichos que se ouviam pelas ruas. Alguns se ofereceram para levá-la a enfermaria abarrotada, mas o grande general não se permitia largar o pequeno bebê de cabelos negros.

Ao chegar em sua casa, Susej, chamou seus mais leais servos para cuidar da menina e reuniu um conselho dos mais sábios. O conselho era para saber quem seria o tutor da criança. A mente dele não saia de perto dela um instante sequer, ela era como a ressaca do mar para ele, o sugava.

Então foi decidido, o casal responsável pela menina seria dos melhores lutadores do reino: Abigail e Nios. E sem demora foi lhes mandada uma carta pedindo que aceitassem a oferta de criá-la como filha.

Não é necessário dizer que o convite foi aceito sem demora e assim que Yudara estava recuperada eles a vieram buscar, mas ao tocarem em seu frágil corpo levaram um choque. Uma corrente que já havia sido sentido pelos responsáveis por cuidar de suas feridas, uma sensação que trazia a mente cenas terríveis para os anjos. Porém por não quererem entristecer Susej eles aceitaram o trabalho.

Voltaram para casa e imediatamente a soltaram. Era horrível tocar sua pele, ela parecia viscosa, repugnante ao toque, mas bela à vista. Tudo nela chamava ao toque.

E ela foi crescendo, sem jamais ver Susej. Aos cinco anos de idade seus pais perderam as assas em meio ao forte, mas não viraram humanos, eles viraram demônios. Com isso se fez um boato de que todos que tocasse Yudara virariam demônios. O pequenos anjos foram proibidos de conversar com ela, foram ensinados a odia-la.

Após o ocorrido com seus tutores a população angelical começou a ver que ela era diferente deles. Os anjos tinham cabelos loiros ou ruivos, os dela eram negros; todos eram brancos, ela era bronzeada; os olhos deles: azuis, dela: verdes, como do demônio inicial antes de virar um demônio; eles vegetarianos, ela comia carne as vezes; e as diferenças continuavam. Até as suas assas eram diferentes, eram cinzas e não brancas como a neve. Aquilo começou a incomodar e ela cresceu nas periferias da cidade dos anjos, pois lá podia arranjar carne fresca.

Doze anos se passaram. Seu corpo se desenvolveu se transformando eu uma tentação aos jovens anjos que a desejavam e regrediam a suas formas humanas. Ela mesma tinha libido, mas queria algo intenso e não o mísero amor dos anjos. Puro, igualitário, sem ciúmes, onde se juntava corpo e alma de uma forma tal que era considerados apenas um. Se a anjo morresse o seu marido seguiria o mesmo caminho, se o marido morresse a mulher o seguiria. Mas Yudara queria algo carnal, algo a força. Mas mesmo assim ela continuava a fingir-se um anjo normal.

Então em um dia ensolarado andando pela cidade ela bateu em um homem muito bonito.

- Desculpe-me senhor....

- Perdão pesso eu a ti Yudara.

Espantada com o Senhor desconhecido que a chamara pelo nome ela continuou o dialogo.

- O senhor me conhece?

- Sim, desde o dia em que te trouxe para ca.

- Não entendo...

- Eu sou Susej - diante dessa afirmação ela se prostrou diante dele encostando sua cabeça no solo - Não se prostre querida.

Ainda com a cabeça no chão e falou:

- Perdão senhor, mas não sou digna de olhar-te, sou indigna de pisar na sua sombra, contudo quase o levei ao chão por minha falta de atenção.

- Eu te perdoo, já que essa é a única forma de você se levantar. Vamos se levante. Fazem 16 anos que não a vejo. Está linda.

Forçada a levantar pelas abeis mãos do general ela o fez, mas sem encara-lo. Ele possuía muito poder, o que fazia com que agora, que sabia quem era, não quisesse ter nascido.

- Vamos, fale algo.

- Perdão senhor, mas não saberia o que falar com o senhor.

- Que tal primeiro parar de me chamar de senhor - então ele soltou uma risada tão gostosa que a fez encara-lo e antes que desviasse o olhar ele segurou o seu queixo. E falando seriamente continuou - Quero te ensinar o caminho da espada, você morará comigo de agora em diante.

- Não tenho palavras sen, digo, Susej. A espada é o instrumento que mais quis usar em toda minha vida. Mas como disse, sou indigna de ser vossa pupila e mais ainda de dormir sobre o seu teto.

- Ahhhh como as vezes é difícil manter a paciência - e sem exsitar pegou seu pulso e a arrastou para dentro de sua propriedade e a empurrou para uma parede.

- Aiii isso dói.... - mas antes que conseguisse continuar a reclamar de forma sedutora, afinal tudo nela lembrava o libido, seu cheiro, sua pele, suas curvas, tudo; Susej lhe jogou uma espada dourada.

Ela pegou a espada de forma não muito habilidosa, porém de forma mais graciosa que qualquer aprendiz na sua primeira vez. Seus olhos grudaram da fina lamina brilhante e quase não viu o ataque de seu mestre. Susej a atacava sem dó nem piedade, queria ver os seus dons inatos e realmente viu que a jovem possuía um ótimo reflexo e noções de espaço, entre tanto lhe faltava técnica.

O treino continuou por 5 horas sem nenhum dos dois pestanejar, mas então o general ameaçou parar para que a garota descansasse e cuidasse dos pequenos cortes que existiam em seus braços e rosto, ela não permitiu. Seu orgulho falava mais alto. Tinha que vencer, ia vencer, porém o cansaço começava a deixá-la mais lenta, tantas coisas a pensar. Seus corte ficavam cada vez mais profundos, apesar de Susej tentar ao máximo não faze-lo. Ele lutava como lutava com qualquer anjo, sem usar todo o seu poder, mas não tão fraco a ponto de parecer que lutava com um aprendiz.

Mais 4 horas de treino passaram até que em um golpe ele cortou um risco em sua face já manchada de sangue. Esse golpe foi o suficiente para fazê-la perder o equilíbrio e deitada no chão pegar no sono, estava exausta. Então pegando a nos braços a levou ao quarto ao lado do seu.

Um dia inteiro se passou antes que a jovem despertasse. Incrivelmente as suas feridas haviam sarado sem ninguém toca-la, mas ela estava com fome e um mísero prato de grama, como ela chamava em sua mente, não seria o bastante.

Correu para fora do palácio, para fora dos muros internos, dos muros medianos e, ao chegar aos muros externos parou. Ali havia um demônio, mas um demônio diferente dos outros, ele era belo. Pele alva e sem marcas, alto e forte, cabelos sedosos e negros como os dela, olhos vermelhos como sangue, dentes pontudos pingavam o sangue da sua ultima refeição. Ela olhava atentamente as gotículas rubras escorrerem pelo queixo angular do demônio, descerem pelo seu pescoço e se perderem por entre suas vestes acinzentadas. Como ela queria se entregar ao demônio, ser possuída por ele, ter seu sangue sugado. Não, deveria parar de sonhar com isso, era uma anjo, inimiga daquele ser.

Porém o demônio percebeu que ela não o atacaria e resolveu seduzi-la. Rapidamentente seus fortes braços a prenderam na muralha, nuas pernas abriram as dela sem cerimonia, os lábios roçaram aos dela e assim ela se entregou a um beijo inusitado e cheio de malícia. Ela desejava o demônio e ele queria corrompe-la. Mordidas e arranhões eram dadas por ele, ela se contentava em aproveitar as sensações e soltar pequenos gemidos. Era como ela sempre sonhava, algo a força, egoísta, quente e sem regras a seguir.

O demônio rasgou a saia de Yudara e as suas vestes de baixo. Com o caminho livre ele a fez dele, com o rompimento de sua virgindade, afinal ninguém ousava tocá-la de qualquer forma, ela ameaçou um urro de dor, mas esse urro foi mantido em seus lábios pelo beijo do demônio. Os corpos se mexiam rapidamente, estonteantemente. O ápice chega e o demônio a larga de uma forma ainda mais inesperada, então ele cola seu corpo vestido ao da garota, entrelaça seus dedos aos dela e com um beijo calmo e cheio de carinho e compreensão diz:

- Meu nome é Aizon, ao seu dispor - e com uma reverencia ele se vai.

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