Ao vê-lo ir embora ela toca com os dedos o lugar onde havia sido beijada de forma tão doce.
- Aizon, creio que não será você que estará ao meu dispor e sim eu aos seus caprichos.
Ainda com fome ela pegou um pequeno cabrito que estava ali e o levou para fora das muralhas. Lá ela largou o animal morto e fez uma fogueira, estava faminta e fascinada pelo gosto da boca do seu amante, que animal será que ele havia acabado de comer? Tinha um gosto tão bom. Ela se perguntava essas coisas enquanto arrancava pequenos pedaços do animal, cuja carne ainda estava crua.
Quando acabou de saciar a sua fome ela caminhou pela mata, que virou uma floresta densa, até encontrar uma cachoeira. Tirando suas vestes rasgadas e maculadas pelo seu próprio sangue as lavou nas gélidas águas. Mas não suportou ficar ali apenas olhando suas roupas secarem então as pendurou em alguns galhos e subindo na queda-d’água pulou.
Seu corpo nu brincava com as luzes difusas de Flin no fundo do rio, seus olhos brincavam de procurar tesouros e cavernas submersas, porém uma forte mão agarrou os seus cabelos e a trouxe a superfície. Assustada, molhada e nua, ela olhou espantada para o seu agressor que logo após a deixar em pé lhe deu um tapa na cara.
- Cubra-se - foram as únicas palavras do anjo.
- Desculpe-me senhor, eu não queria ter saído sem a sua permissão, mas não aguentava fica lá. Realmente me perdoe - ela falava de cabeça baixa e com o coração. Não queria ter fugido da mansão de Susej, mas precisava de carne, necessitava de espaço para respirar sem ter os olhares angelicais sobre ela.
- Cale-se e se cubra - Sua voz era ainda mais amedrontadora do que antes.
Mais do que de presa ela colocou as suas roupas húmidas e rasgadas sobre seu formoso corpo.
- O que houve com as suas vestes? - ele perguntou com uma voz mais amena, ela ensaiou uma resposta entre tanto quando abriu a boca para soltar a explicação ele a interrompeu - Pensando bem não quero saber, eu sei que você iria mentir para mim e me soltar uma história falsa, mas convincente. Estou decepcionado com você Yudara. Você era para ser o modelo de anjo, o modelo de lutadora, era para ser o meu orgulho, e mesmo assim deixa roubarem a sua pureza, - os olhos dela se arregalaram com a duvida de como ele saberia disso - ingere carne crua e tenta seduzir a todos. Você me decepcionou, não precisa comparecer amanhã na comemoração onde você receberia o meu sinal.
Pois é, diferente dos demônios, os anjos tinham a escolha de servirem a Susej, de ter a sua marca. É claro que era raríssimo um anjo não querer tê-la, tão raro que o único que não quis perdeu as suas asas e virou o primeiro humano, o primeiro demônio.
- Mas senhor como irei ficar sem o sinal? Não poderei ir a batalha.
- Eu sei, mas eu não quero que você o tenha apenas para isso. Ter o meu sinal significa me pertencer de corpo e alma, significa querer dar sua vida para salvar a minha, querer seguir as minhas ordens e, o mais importante, querer ter uma vida pura e contraria a dos demônios. Você está disposta a fazer esse voto comigo?
Ela simplesmente parou de andar e ali perto das muralhas exteriores ela começou a chorar. Nesse momento Susej também parou, doía nele também. Queria consolá-la, abraça-la, dizer que era como uma filha para ele e que jamais deixaria que a machucassem, mas isso não era possível. Então se voltou a ela e com a expressão mais mascarada que pode falou:
- Irei te esperar em minha casa, depois de amanhã continuaremos o treinamento.
Como resposta ela apenas balançou a cabeça afirmativamente e ele se foi. Ela estava lá sozinha e sabia que a partir do dia seguinte os olhares de asco que caiam sobre ela iriam se replicar, afinal era uma anjo com a idade de ir para a guerra, mas que não iria, era alguém que tinha o privilégio de viver com Susej, porém não possuía a marca do General. As feridas já profundas dos olhares iriam apunhalá-la mais uma vez.
- Não - ela gritou e seus joelhos foram ao chão, as mãos ao peito. Teria que dar um jeito, ela iria escapar disso. Tinha que escapar disso.
Ela ficou ali prostrada até a chegada de Orion, até que conseguiu reunir forças para partir rumo a casa de seu general tão formoso. E lá ceou o clássico prato de grama que além do gosto habitual estava com textura de plástico. E foi dormir.
Flin estava no seu ápice no céu quando ela se levantou. A celebração já havia se iniciado. Ela ouvia os gritos entusiasmados da multidão do lado de fora do salão, o salão em que só ela e os demais jovens estariam, onde seus braços seriam marcados a fogo, um fogo gelado em forma de pedra, mas que deixava uma cicatriz igual ao fogo normal, mas que não doía.
Os berros era incríveis, eram a forma em que os anjos encontravam de dar força aos seus jovens aliados. Mas eles furavam o peito da jovem que saindo do seu quarto foi a ferraria e desesperada pegou um pedaço de carvão porém ela ouviu os berros se intensificarem e parou por um momento, esse momento foi o bastante para que o carvão queimasse a sua mão. Ela soltou o carvão e com a outra mão segurou a queimada por reflexo. No entanto antes que ela pudesse amaldiçoar a dor a porta da ferraria se abriu e lá estava o dono da marca. Susej estava parado ali observando o que ela fazia.
- O que você está fazendo Yudara?
Ela se manteve em silencio. Ele se aproximou um passo. Os olhos dela lacrimejaram por lembrar o que sofreria ao sair ao ar livre sem a marca. Ele se aproximou mais um pouco. Numa medida desesperada ela se voltou ao carvão ainda incandescente, o pegou, olhou para Susej, a primeira lagrima cai, fecha os olhos e com força finca o carvão em seu braço esquerdo, mais lagrimas lavam seu rosto com fuligem. Susej apenas observava a cena e ao vê-la soltar, por fim, o objeto que a queimara foi em sua direção e segurando firmemente seus pulsos perguntou:
- Você me odeia tanto assim? - Ela começou a chorar pela dor em seu braço e em seu peito - Eu queria que isso fosse um momento feliz e não de dor. - lagrimas singelas percorreram o corpo do maior, mas ele continuou - mas, por amor a você, vou transformar este em um sinal verdadeiro - então ele soltou um dos pulsos da garota para pegar uma pedra que jazia em seu bolso e a encostou na queimadura do braço dela, que a principio doeu mais que a primeira queimadura, tanto que ela mordeu o ombro do general afim de conter o berro de dor, porém ela mordeu tão forte que o sangue do anjo escorreu por seus lábios, um gosto doce e viciante. O gosto dos lábios de Aizon. Aos poucos a dor das queimaduras passou e ela soltou seus dentes do ombro alheio. A dor deu lugar a um frio confortável. - Não conte isso para ninguém e jamais chegue perto de outro demônio que não seja em minha presença ou na guerra.
Ao terminar de falar ele deixou a pequena garota no estábulo e voltou a comemoração cobrindo o ombro, sem que ninguém da multidão que comemorava, nem os que participavam da comemoração entendesse a sua saída.
A dor de sua mão queimada ainda incomodava um pouco mas já começava a cicatrizar e um lugar para carne se abriu em seu estômago. Parecia que era uma cobrança de seu corpo, toda vez que se feria se curava de forma sobrenatural, até para os padrões de Amaron, mas precisava ingerir carne.
Novamente saiu dos portões e foi aquela cachoeira de alguns dias atrás. Lá encontrou um pequeno coelho que foi limpo e comido. Mas o dia estava morno e sua mente abrotada, queria mergulhar e se afogar naquelas límpidas aguas, e ali mergulhou nua novamente.
Duas horas já haviam se passado desde que ela entrara na água e ainda não haviam sinais de que dali ela sairia, até que ele chegou. Quando os olhos dela o viram seu corpo estremeceu, seu novo sinal coçou, precisava dele. Aizon estava ali.
- Aizon, o que fazes aqui?
- Eu estava com saudades de ti. - Sua voz era grossa e meio rouca, muito excitante.
- Eu também estava...
Ao ouvir isso o demônio retirou as suas vestes e colocou suas pernas na agua e sentou na beira do rio, seu membro pulsava. Ela chegou perto dele, mas como ele escolhera a parte mais funda ela estava quase totalmente coberta. Ele agarrou os cabelos da anjo e a obrigou a fazer lhe um oral, ela sentia prazer ao faze-lo, ao sentir que estava dando prazer ao seu primeiro amor. Quando ele estava a gozar arrancou o novo brinquedo da boca da jovem e mergulhou no rio. A jogou contra a parede de pedra que havia na borda do rio e ali a possuiu de forma mais intensa que da primeira vez, mais carinhosa.
Quando terminaram o ato ele a levou no colo até a margem e ambos ficaram deitados na grama, trocando caricias, até secarem. O demônio apenas falava juras de amor, que daria um jeito de ficarem juntos, mesmo que ele se matasse para virar um mísero humano e ficar com ela.
Finalmente Orion brilhou em um canto de Amaron enquanto Flin ia vagando embora no outro extremo. Eles de despediram e ela voltou ao lado de Susej, que não comentou a sua estadia fora.
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